O DAS subiu, e agora?
Com o aumento do salário mínimo para R$ 1.621,00 em 2026, o valor do DAS do MEI também foi reajustado e agora varia de R$ 82,05 a R$ 87,05 por mês, a depender da atividade. Para quem já vivia no limite do caixa, qualquer reajuste pode ser o empurrão para atraso de guias, multas, risco de CNPJ inapto e até perda de benefícios do INSS.
A boa notícia é que, com um “orçamento MEI” simples e prático, dá para encaixar o novo valor do DAS no seu dia a dia sem sufocar o negócio — e ainda organizar dívidas que já estão acumuladas.
Entenda o novo valor do DAS em 2026
Antes de falar de organização, você precisa saber exatamente quanto o seu MEI paga de DAS todo mês.
Hoje, com o salário mínimo em R$ 1.621,00, a contribuição previdenciária do MEI é de 5% desse valor, ou seja, R$ 81,05 de INSS. Em cima disso, entram os impostos conforme a atividade: ICMS para comércio/indústria e ISS para serviços.
Os valores do DAS‑MEI em 2026 são:
- Comércio e Indústria: R$ 82,05 (R$ 81,05 de INSS + R$ 1,00 de ICMS).
- Serviços: R$ 86,05 (R$ 81,05 de INSS + R$ 5,00 de ISS).
- Comércio e Serviços: R$ 87,05 (INSS + ICMS + ISS).
Parece pouco, mas atrasar alguns meses pode virar uma bola de neve, principalmente quando somado a juros, multa e risco de inscrição em dívida ativa.
Passo 1: Separar contas de pessoa física e MEI
Um dos principais motivos de MEI se enrolar com o DAS é misturar dinheiro pessoal com dinheiro do negócio.
Para organizar isso na prática:
- Abra uma conta PJ simples e use apenas para movimentações do MEI (recebimentos, pagamentos de fornecedores, DAS, aluguel de sala etc.).
- Defina um “pró-labore” ou retirada mensal para você, mesmo que seja um valor pequeno, e transfira da conta PJ para a sua conta pessoal em uma data fixa.
- Evite pagar contas pessoais (supermercado, streaming, cartão de crédito pessoal) com o saldo do MEI; isso esvazia o caixa e você “esquece” do DAS.
Se você já está perdido e não sabe nem por onde recomeçar, vale conversar com a equipe do CalMEI para analisar seu histórico, débitos e possibilidades de regularização de forma organizada.
Passo 2: Montar um “orçamento MEI” simples
Pense no seu MEI como uma pequena casa: se você sabe quanto entra e quanto sai, evita surpresa ruim no fim do mês.
Um modelo simples de orçamento MEI pode ter:
- Entradas: vendas no dinheiro, Pix, cartão, transferências de clientes, plataformas digitais.
- Custos fixos: aluguel, internet, energia, aplicativos essenciais, assinatura de sistemas, salário de ajudantes (se tiver).
- Custos variáveis: compras de mercadoria, matéria‑prima, embalagens, frete, comissões.
- Tributos: DAS mensal, possíveis taxas municipais ou estaduais específicas da sua atividade.
O ideal é que o DAS já apareça dentro do seu orçamento como uma despesa fixa, assim como aluguel e internet, e nunca como algo “se sobrar eu pago”.
Passo 3: Reserva mensal para tributos (DAS e outros)
Com o novo valor do DAS, o MEI precisa garantir que esse dinheiro não seja “comido” pelo dia a dia.
Algumas estratégias práticas:
- Defina um percentual do faturamento para guardar todo mês, por exemplo, 8% a 10% do total que entra, para cobrir DAS e outras obrigações.
- Assim que receber dos clientes, separe imediatamente o valor do DAS em uma conta ou subconta de reserva (alguns bancos digitais permitem “caixinhas”).
- Agende um lembrete fixo no calendário ou no aplicativo do banco para o vencimento do DAS (geralmente dia 20).
Se você quiser, o CalMEI pode assumir o controle das suas obrigações fiscais (declaração anual, emissão das guias e acompanhamento de débitos), para você focar nas vendas enquanto alguém especializado cuida do “chato”.
Passo 4: Controle de fluxo de caixa dia a dia
Fluxo de caixa é simplesmente acompanhar o que entra e o que sai, de preferência todo dia ou pelo menos toda semana.
Você pode controlar:
- Em planilha simples (entrada, saída, saldo).
- Em caderno, se preferir algo físico, desde que registre tudo.
- Em aplicativos de gestão financeira para MEI, que já separam categorias de gastos.
Com isso, você consegue ver com antecedência se o dinheiro do DAS daquele mês está garantido ou se precisa correr atrás de mais vendas antes do vencimento.
Passo 5: Usar meios de pagamento digitais a seu favor
Meios de pagamento digitais podem ser grandes aliados da organização financeira do MEI.
Algumas boas práticas:
- Prefira recebimentos por Pix, cartão e plataformas que permitam extrato organizado, em vez de depender só de dinheiro vivo.
- Use contas digitais PJ que ofereçam relatórios, categorias de gastos e “caixinhas” para separar o valor do DAS e de outras reservas.
- Se trabalha com vendas online, integre meios de pagamento que facilitem conciliar o que entrou com o que você emitiu de nota ou comprovante.
Quanto mais rastreável for o seu faturamento, mais fácil é montar um orçamento e comprovar renda quando precisar de crédito ou benefícios.
Consequências de atrasar o DAS (e por que você não deve empurrar isso com a barriga)
Atrasar o DAS não é só “ficar devendo um boleto”.
Entre as principais consequências estão:
- Multa e juros sobre as guias atrasadas, aumentando o valor da dívida conforme o tempo passa.
- Risco de perda dos benefícios previdenciários: período sem pagamento não conta para aposentadoria, auxílio‑doença, salário‑maternidade, pensão por morte etc.
- Possibilidade de inscrição em dívida ativa e cobranças pela Procuradoria da Fazenda Nacional.
- Risco de cancelamento do CNPJ e desenquadramento do MEI em casos de inadimplência prolongada, o que pode levar à perda de vantagens do regime e dificuldade de acesso a crédito formal.
Ou seja: além de pesar no bolso, o DAS atrasado pode travar o crescimento do seu negócio e até sua proteção como segurado do INSS.
Como regularizar dívidas atuais de DAS com apoio do CalMEI
Se você já tem DAS atrasado, o importante é não ignorar.
Em geral, o passo a passo é:
- Levantar todas as guias em aberto (pela área do Simples Nacional ou com apoio de um especialista).
- Emitir as guias atualizadas com multa e juros.
- Avaliar se compensa pagar tudo à vista ou negociar alternativas de parcelamento quando disponíveis.
- Ajustar seu orçamento MEI para que, além do DAS do mês, você tenha um plano realista para quitar o atraso.
O CalMEI pode fazer esse diagnóstico para você: identificar quantos meses estão em atraso, calcular os valores atualizados, orientar sobre riscos de CNPJ inapto e montar um plano de regularização dentro da sua realidade financeira.
Se quiser ajuda passo a passo, preencha o formulário e receba o retorno da equipe.
Conclusão: Organizar o orçamento é mais barato do que apagar incêndio
Com o reajuste do salário mínimo e o novo valor do DAS, o MEI que não se organiza corre um risco real de ver o negócio saudável por fora, mas desenrolado por dentro. Separar contas PF/PJ, montar um orçamento, criar reserva para tributos e controlar o fluxo de caixa são atitudes simples que evitam multa, juros, perda de benefícios e risco de CNPJ inapto.
Se você sente que está “perdido” ou com medo de descobrir o tamanho da dívida, não precisa enfrentar isso sozinho: a equipe do CalMEI está preparada para te acompanhar desde o diagnóstico até a regularização completa do seu MEI.